segunda-feira, março 06, 2006

Fim

Rui Romano foi encontrado morto, Quinta-Feira, na sua própria residência. O corpo maltradao indicia que Rui não resistiu aos vários ferimentos de aparente espancamento. As autoridades conseguiram apurar que os presumíveis autores do crime brutal ( estimam-se entre 28 a 36 indíviduos) não escaparam ilesos à legítima defesa de Romano que acabou por sucumbir perante tamanho número de agressores violentos. A polícia encontrou ainda vários dentes, dedos e orgãos genitais de diversas pessoas que não o malogrado vingador. Hospitais e postos-médicos das redondezas estão a ser vasculhados na senda de possíveis suspeitos.

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Segundas-feiras sem meias-medidas 18: Ovar, Mealhada, Torres Vedras, Sines, Sesimbra, Loulé



Rodada de B-52s, pago eu.
Rei Momo, rei posto.

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Cláudio Ramos

Pensar que ele tem um filho é pensar numa criatura gerada em laboratório e com morfologia lovecraftiana. A verdade é que existe sem se lhe serem conhecidas quaisquer anormalidades. Não fosse Portugal um país demasiado irrelevante para acolher a grande besta apocalíptica, exigiria às autoridades que vasculhassem a marca 666 no corpo do infante.
O ideário demoníaco em Ramos não se restringe ao inesperado filho (pobre: melhor seria a bastardia que a filiação num aborto). O seguinte episódio luciferino que vou recordar passou despercebido, mas é com inteireza que o conto: há um par de anos liguei a televisão e vi o Cláudio Ramos a apresentar um programa de televisão de vídeos caseiros. Era o Cláudio, com a sua característica incaracterística falta de gosto indumentária (característica porque é habitual nele, incaracterística porque não é habitual nos maricas) e a irritante voz de kazoo cor-de-rosa. Aparecia-nos o dito mas, asseguro, quem falava era uma criatura maligna. Cláudio Ramos estava possuído pela Teresa Guilherme e isso é mais pavoroso do que uma torção de cabeça de 360 graus, latim proferido com voz de homem pela boca de uma criancinha ou qualquer vómito esverdeado em jacto que alguma vez tenha passado pela câmara de William Friedkin.
Recordo a abominação e declaro Cláudio culpado. Com ou sem exorcismos serei vingado.

Possessão demoníaca num programa tipo “Isto só vídeo” nem nos tempos do Virgílio Castelo. Para o endemoninhado Ramos (tratá-lo pelo apelido está a começar a parecer-me honra demasiado viril) reservo um castigo que harmonize vídeos caseiros com domínios do mafarrico. Para os 9 círculos infernais da “Comédia Divina” dantesca ficam outros nove círculos de punição eterna para o Cláudio:

1º círculo – Cláudio Ramos surge com o bolo de aniversário do seu (conceptualmente hediondo) filho. Tropeça, deixa cair o bolo e cai com a cara na cobertura de chocolate.

2º - No próprio casamento desmaia e cai redondo com os dentes no chão.

3º - Cláudio improvisa uma rampa com caixas de madeira para saltar com a sua bicicleta. A rampa cede e Cláudio cai desamparado

4º - Em visita ao Jardim Zoológico deixa que um macaco lhe roube o gelado por entre as grades. Cai de costas com o susto e uma consequente escorregadela.

5º - Um mestre de artes-marciais faz uma demonstração e salta para partir a tábua de madeira que Cláudio segura. Este último cai de cabeça quando pontapé falha e lhe acerta nos dentes.

6º - Na praia, Cláudio faz palhaçadas para a câmara de costas para o mar. Logo que uma onda inesperada o atinge, Cláudio cai e encharca-se na espuma da rebentação.

7º - Lança um bumerangue que na volta lhe embate nas partes baixas. Cai com dores.

8º - Demonstra ao pequeno (mas no conceito grandemente hediondo) filho como balançar correctamente um taco de beisebol. O pequeno assume o objecto e sacode-o contra as partes pudibundas do Cláudio que cai agarrado à virilha.

9º - Em plena praça de toiros, o toureiro Cláudio Ramos vira-se para o público ignorando um supostamente cansado touro. Leva uma cornada por trás que o projecta alguns metros até que cai de barriga para baixo. Nem todos os círculos infernais lhe tinham que ser desagradáveis.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Segundas-feiras sem meias medidas 18: José Carlos Malato



A maçã pertence a uma pintura do mestre Lucas Cranach (Adão e Eva no pecado original).
O Malato pertence a uma estirpe de indesejáveis que se associam na disposição dos pelos faciais.
Anatomicamente o Palato fica em cima da Maçã de Adão. A maçã de Adão do Cranach ficou em cima do Malato. Os besteiros atingem a primeira - palato em cima. Malato no chão.

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Talvez um cisne morto. Talvez demasiada aguardente

(violinos)
Escrevo pouco não porque esmoreço. Melhores tempos terão que vir, piores para os nomes que aqui merecerem honras de negrito.
Tenho as prioridades bem definidas. Não tenho é tempo (o tempo é um bem escasso até no caso particular dos vingadores insones) nem a ventura de pôr o pão na mesa com os meus muito abnegados actos de justiça. A utilidade pública dos serviços é pouco reconhecida e as necessidades orçamentais vindicativas de pouco não têm nada.

(violinos em fade out)
Melhores tempos terão que vir.

(silêncio)
Porque não vos deixo:
Deixo a promessa de um futuro melhor para si e para os seus. Deixo o email onde pode questionar o que mais o aflige*. Em suma, deixo esperança.
Portugueses, não esmoreço!
(Hino Nacional)

* Será Victor Constâncio real ou uma constante imagem de arquivo? É lícito lamentar as mortes colaterais de militares numa guerra civil?...

Retomaremos a nossa emissão na próxima Segunda-Feira

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Segundas-feiras sem meias medidas 17: Daniel Oliveira



Ces enculés sont fous!

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Carlos Castro

Nunca uma pessoa foi apelidada de homofóbica por ter implicado com ele, estou convicto. O ridículo em Carlos Castro, apesar do alicerce óbvio nos trejeitos efeminados, transcende opções sexuais. A opinião que manifesto reforço com sinceridade: entre “bicha-maluca” e “Carlos-castro”, considero o último adjectivo muito mais injurioso.
A questão inicial não deixo por aqui. Por muito lugar-comum que seja o apelo à etimologia de homofóbico, afinal quem é que neste planeta poderia ter medo de Carlos Castro? Ter receio do ser minúsculo com olhos semi-cerrados e nariz húmido não é homofobia. Caso soubesse a designação em latim para uma toupeira, descreveria a patologia com rigor científico.
Carlos Castro Culpado. A pessoa que solicitar motivos para que eu justifique o veredicto é a pessoa que não conhece o colunista enfezado. É a pessoa que invejo.

Há um espécime indizível inferior ao travesti. Felizmente hiberna quase todo o ano, infelizmente está na altura de acordar. Tanto pior para Castro, a toupeira. Sabe-se do colunista a dedicação aos espectáculos de transformismo que promove. Com justeza retribuirei dedicado nisto: para Carlos Castro nem mais um travesti; para Carlos Castro só espécimes indizíveis. São eles os merceeiros, bancários, retroseiros, talhantes, contabilistas ou tantos mais que, em cada Carnaval e para gáudio dos seus conterrâneos, se decidem mascarar de mulher. O Carlos Castro que monte o seu lindo espectáculo com a brilhante (indizível) combinação de mini-saias, perucas fluorescentes, mamas de plástico e bigodes antigos.
Adeus Ruth Bryden - Rainha da Noite, olá Júlio Costa - bate-chapas de Santa Comba Dão.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Segundas-feiras sem meias medidas 16: Nuno Markl



Fazer do Markl um Rushdie ou O Homem que mordeu o Corão.



A fogueira será ateada com os versos satânicos dos livros de Markl, o fogo extinguido com o sopro do mais nobre jubiloso. Piano, apaga as velas.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Jorge Coelho

Também há xamanes nas tribos mais pequenas. Normalmente são as esposas, mágicas-curandeiras, que reclamam para si dons extra-sensoriais ou sensores extra qualquer coisa. Há quem consiga cheirar o cozinhado ainda na panela e determinar se está insosso ou salgado, quem olhe para o infante de cabelo molhado e descubra se o banho foi realmente tomado ou tudo não passou de uma rápida chuveirada no cabelo.
Feiticeiro da minha tribo solitária, é pela da audição que reivindico magia. Basta-me escutar (processo muito mais higiénico do que qualquer leitura sobre vísceras) e concluo sem margens de erro. Ligo a televisão, ouço o Jorge Coelho e sinestesicamente tapo o nariz. Sem margem de erro j’acuse : Coelho tem mau hálito.
Num processo de desmistificação da minha acertada asserção, refuto algumas conclusões fáceis. Não é pela pronúncia beirã, com todas as magníficas sibilâncias, que sou induzido a descortinar halitose. Nada disso. As minhas explicações hipotéticas (para um mau-cheiro não hipotético, factual) são basicamente duas:

1ª - Existem comidas fora de prazo alojadas na boca do Coelho. Depois de tanto tempo a comungar com a caseosa hóstia guterrista, não há Camembert de Normandie que ofusque o macilento pedaço transubstanciado entre os dentes.

2ª - Jorge Coelho, a julgar por anos e anos de barba entre o feito e o desfeito (entre o mendigo e o gitano kusturikiano), não é grande adepto da higiene pessoal, nomeadamente a bucal.

Ouçam-no com atenção e descubram que é possível ficarmos incrédulos sem ser necessariamente pelo quixotesco do discurso.

Não me vingo de Coelho por hora. Quero guardá-lo para mais tarde e fico-me pela exposição da sua boca fétida. As palavras suplementares são de apreço para os valorosos resistentes da quadratura. Prometo nunca mais enviar o asseado José Magalhãoes para Plutão.

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Segundas-feiras sem meias medidas 15: Manuel Alves e João Manuel Gonçalves



Após um período vingativo muito irregular, regresso com golpes certeiros em alvo duplo. Kamehameah!

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Takeshi Romano

Faço uma vénia. Entrego um punhal. Apelo à honradez. Digo o que me trouxe:

Fautores de haiku,
Minimalistas maricas,
Façam harakiri.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Segundas-feiras sem meias medidas

Este blogue caiu inevitavelmente nas malhas da actualidade. As curtas indicações presidenciais terminam aqui ao segundo post. Volta-se o leme para habituais quotidianos menos óbvios.

Saúdo o novo Presidente com um gesto presidencial. Já lá vou. Primeiro manifesto que Cavaco Silva era há muito tempo o predilecto deste espaço – bastou-me ouvir outro candidato apelidá-lo de "carrasco" para qualquer irresolução se dissipar. Será um bom aliado, mesmo que a Constituição o desenquadre de atitudes drásticas que não abjuro.
Agradeço a todos os que seguiram a minha sugestão (indicação, obrigação, ameaça) de voto e é para esses (cerca de 50% de 10 milhões) que vai o tal gesto presidencial. Segunda-Feira com uma amnistia indefinida e uma celebração bem concreta. De um carrasco para outro, aqui fica o primeiro retrato oficial para o Palácio de Belém.



Obrigado à TVI. Obrigado às mulheres. À Maria José Nogueira Pinto e à Manuela Moura Guedes pela memorável cat fight.
À Ana Drago o agradecimento é mais sentido. Fiquei preso no olhar religioso com que ouvia Louçã; há fés que nos nutrem a Fé.

sábado, janeiro 21, 2006

O meu comício

Reclamo as vinganças como um princípio cívico. Cumpro por aí o meu dever e é nesse direito que apelo ao cumprimento de todos.
Não há cá reviravoltas inesperadas nem graçolas implícitas: este curto texto faz nada mais do que o sincero e ordeiro apelo ao voto nestas próximas eleições presidenciais. O voto, como o apelo, sincero e ordeiro o quero.

Porque escrevo a menos de 24 horas do dia 22, não posso fazer campanha.
Votem Cavaco.



Cavaco porque não me apetece fazer outra hora de viagem só por causa da segunda volta.
Tolero o voto em Jerónimo: de cada vez que, discursando sobre o candidato da direita, usa a expressão "revanchista", é como se a sua boca fosse inundada de mel; a sensação nos meus ouvidos é certamente melíflua.

Se o Clint Eastwood fosse português e candidato, eu seria mandatário e não completamente contrário ao cargo de primeira-dama.
Clint é fixe!

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Teresa Guilherme

Recentemente o seu sorriso parece transfigurado. Com isto não sugiro que o sorriso – mandíbulas, queixo, dentes – se tenha aproximado das proporções humanas, apenas lhe descubro um novo brilho que me poderia desarmar, não fosse eu desalmado.
Parece que se casou e encontrou amor. Parece-lhe a ela. Perdoem-me a suspeita, mas mulheres ricas e poderosas podem encontrar o amor, mas já o amor encontrá-las fica muito complicado se forem feias, ou equinas dado o caso. Uso o benefício da dúvida e lembro-me que o amor é cego, no mínimo míope: querer casar com o Jay Leno português (por serem da televisão e terem queixos descomunais, mais nada) pode ser afinal tudo uma questão de dioptrias.
Os delitos a requererem justiça (sentidos na pele - requeiro vingança), são muitos e alguns antigos. Misticismos vomitivos, maquiavelismos casamenteiros, sodomices e gomorrices, ou até a correspondência à fase menos boa do Manuel Luís Goucha constituem a ponta de um iceberg de proporções maxilo-guilhérmicas.
É culpada. Será aspada.

Nos seus últimos reality-shows foi voyeur descarada, mas a Teresa não merece o requinte fonético do francesismo: foi descarada, mirone descarada. Voltarei o feitiço contra a bruxa e tudo farei para que se inscreva num desses novos programas bigbrothericos em que participam celebridades. Se o suplício de ouvir a Júlia Pinheiro num auricular não me satisfizer, esperarei por mais resultados clássicos. Abençoada tensão sexual destes espaços fechados e vigiados: um mês depois do programa será José Eduardo Moniz o padrinho de casamento da Teresa com o Zé Maria.

terça-feira, janeiro 17, 2006

Segundas-feiras sem meias medidas 14: Bernardino Soares


Apesar de ser já Terça-feira, estão aqui manifestos todos os habituais (re)sentimentos da Segunda-feira.

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Mata-cãs

Não é para pensar muito: o que têm em comum Pedro Silva Pereira, João Gil e José Sócrates para além do ar de choninhas? Para ser mais fácil a resposta ajudo com outra pergunta: que têm em comum George Clooney, Steve McQueen e Paul Newman?
Grisalhos precoces são categoria pouco explorada. Ainda bem, digo eu com algum sentido de decência e patriotismo puro. Os três norte-americanos consigo agrupar pelo charme, talento, carisma e grisalho precoce; já com os portugueses não vou além do grémio de jovens grisalhos. Grisalhos e choninhas, pois claro.
Se o dever nacionalista me impunha a sonegação desta triste realidade, também me incita a revelá-la. Como é possível criticar-se a subserviência governamental na cimeira das Lajes, o desaire contra a selecção americana no Mundial de Futebol de 2002 ou a violação do espaço aéreo por aviões da C.I.A. quando a mais pesada derrota com os estado-unidenses está nisto das cãs? Há que agir!

Importem um Steve Martin (mesmo em baixo de forma) para seminários e acções de formação. Pintem os cabelos desse trio luso, nem que seja com as cores dos partidos que apoiam. Ajudem-me nesta senda: que “grisalho” não esteja condenado a sinonimizar “chonice” ou proporcionar rimas marotas.

terça-feira, janeiro 10, 2006

Lista de exclusão atrasada

Tenho estado em falta num compromisso mensal que estabeleci. Em Dezembro não lancei qualquer édito de personas gratas e Janeiro já vai no seu décimo dia. Reconheço o crime e peço sinceras desculpas a todos que aguardavam a lista: não aos que a lêem como um exercício de entretenimento, mas àqueles com olheiras e unhas ruídas que esperam ver os seus nomes nestes momentos e em mais nenhuns.
Atrasada, mas chega. Sustenham respirações e expirem de uma vez. Serei eu a expiar no
éter. Siga a curta lista:

- Carlos Daniel
- Rui Tovar
- Hernâni Gonçalves
- Otávio Machado
- Eusébio da Silva Ferreira

Nunca condenei aqui “gentes da bola”, mas hoje aplico absolvições. Apesar do esférico em comum é a mais heterogénea das exclusões aqui compiladas. Anotem-me as tendências: não sacrifico esquizofrenias patéticas como as do Otávio nem desaprovo o galã de opereta, palavroso e delicioso Hernâni. Do Eusébio deixo claro: empenharei a baioneta na guerra civil contra as hostes contrárias ao seu enterro no Panteão Nacional.

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Segundas-Feiras sem meias medidas 13: José António Saraiva



O.J. Simpson recebeu um telefonema anónimo há 15 minutos e deve estar mesmo a chegar a casa.
Já que controlo isto não evito: no julgamento por homicídio O.J. será defendido por José Maria Martins.

sábado, janeiro 07, 2006

Temos sido acometidos de alguns problemas técnicos. Retomaremos à normalidade na próxima semana. Até lá não se esqueçam de cumprir a Constituição retirando os Pais Natal que estão pendurados (enforcados) nas vossas varandas, dado que já passámos o dia de Reis. Podem seguir.

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Sílvia Alberto

Não sou apreciador primordial de pernas e assim se recusa um indulto de ano-novo à Sílvia Alberto. Por mais perfeita que seja da cintura para baixo o veredicto é o costumeiro e a vingança inevitável.
Comparo-a com alguns programas da SIC Mulher: feminilidade sofisticada, cor-de-rosa e de saias curtas. Caiam-me em cima todas as senhoras se eu sou sincero ao ponto de definir que para mim feminilidade e sofisticação são coisas diferentes, não associáveis entre si como epíteto, nenhuma delas cor-de-rosa. E por muito femininas que sejam as esbeltas pernas da Sílvia Alberto, vejo-a um clone catarinofurtadiano desprogramado na dicção dos éles.
A indesejada invasão do espaço televisivo é talvez a mais comum moléstia que tendo a vingar. O caso da Sílvia não é propriamente grave, já que desaprovo-lhe os trejeitos, a insinuação de prestígio, o formato dos programas, a interactividade jovial e pouco mais. É nova e castigo-a por mera profilaxia, não vá ela tornar-se uma verdadeira Catarina Furtado. Irrita-me, sim, logo é culpada (tenho que aprender a dizer isto em latim para a posteridade), mas se não lhe passei a absolvição, optarei por uma brandura que não me caracteriza.


Ao ler os títulos numa banca de jornais descobri que a Sílvia vai rumar à RTP. Isto talvez facilite a minha tarefa. Nada como encomendar-lhe daqueles programas da manhã ou tarde da estação (leia-se “Praça da Alegria” e “Portugal no Coração”), sobretudo quando são feitos pelo país fora, na rua. Umas boas horas diárias em pé para a Sílvia Alberto - é tudo o que peço. Pode ser a aturar o Malato ou a Picolé, isso não me interessa, rogo apenas por umas horas em pé.
Vestirá umas calças quando as pernas se encherem de varizes. Pode agradecer-me.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Segundas-feiras sem meias medidas 12: Nilton



Depois de ver alguns minutos do especial de passagem de ano do comediante Nilton, mergulhei numa profunda reflexão sobre "passagens de ano". O paradoxo incómodo que resultou foi o seguinte: apetece-me avançar e recuar no tempo; quero ir para o futuro para voltar atrás. Desejo saltar até um ano em que a tecnologia esteja suficientemente avançada para efectuar viagens ao passado. Assim garantia que um certo bisavô de um certo comediante embarcava no Titanic.

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Eu vou mas voto.

Volto em 2006.
Voto para 2006:
que eu não esmoreça.
Que ninguém esqueça,
antes da estultícia,
que tenho amigos bem colocados. Com foices e sem martelos.


Boas entradas.

quarta-feira, dezembro 28, 2005

Hate-mail. Dia grande no blogue. Sacramento cumprido.

Caro Rui

Deixe-me dizer-lhe a que venho. É, aliás, muito simples. Um hate blog como o seu tem obrigatoriamente que receber hate mail e aí entro eu.
Leio atentamente este seu “minha é a vingança” (que descobri que era uma expressão bíblica) e só vejo coisas interessantes, desenhinhos bem feitos, textos escritos superiormente, comicidade e inteligência. Mas enagana-se se pensa que o estou a elogiar quando escrutino as suas valias e a sua técinca. Tudo o que posso dizer é que os seus traços de sobredotado são traços que se podem ler do outro lado. Passo a explicar:
O raciocínio é típico de um cromo, de um marrão ou de uma autista capaz de pegar em coisas que mais ninguém se lembraria. O sentido de humor é típico de um recluso que vive com os pais e passa os dias a ver televisão, especialmente talk-shows da Sic Comédia. As posições inflexíveis são de um cobarde que usa o anonimato blogueiro para descarregar as suas envergonhadas opiniões. As posições políticas são as de um recalcado, partidário do sistema. A minha capacidade de traçar perfis não fica por aqui. Ainda consigo ver, por detrás do escudo do sobredotado, um homem acima dos 30, solteiro, virgem, feio, sem sorte com as mulheres, homofóbico, a viver num quarto pequeno cheio de livros, a controlar o tempo entre a TV e a Playstation, imberbe e careca.
Vou continuar a ler o seu blogue apesar de tudo, até acho que isso nunca esteve em causa, mas não vou deixar de discordar de muita coisa e de achar que o autor é um dos maiores cromos que por aqui andam.

Pode fazer referência ou publicar este hate mail. Como disse que acho que no fundo é um cobarde, duvido que o faça.

Hugo Mendonça



Agradeço tão eloquente pertinácia e rendo-me à cientificidade da coisa. Mas isto não fica assim. Ninguém me chama "imberbe" e vive para contar!

terça-feira, dezembro 27, 2005

O desprezo é muito e as palavras poucas. Muito menos que aquelas correctamente soletradas; balidas com candor, mas eu sei bem (e se calhar tu não) do lobo aí por baixo. Serão poucas as palavras, prometo, para compensar o imenso desprezo que tenho pela tua moral - diferente da minha porque a minha é só minha e a tua é só universal. A mão esquerda já não é a que pinta murais, mas a que aponta o indicador contra fenómenos globais. Morais globais com murais daltónicos.
Anda cá balir que eu destapo-te!
Vem aí o lobo! - ninguém da aldeia vai acreditar porque não é essa a história infantil correcta.
Vem aí o flautista de Hamelin! - vens com música alternativa: afugentas ratos e atrais os imprudentes jovenzinhos.
Desprezo-me por estar a alongar as palavras anunciadas poucas. Não as gastarei, contudo, a escrever o teu nome. Tratar-te-ia por um número, como se fosses a espécie de anticristo que não excluo seres. Não te chamo nem trato, mas olho-te nos olhos e assim terminarei.
Este texto foi-me urgente, instintivo; emergente e inconclusivo, assumo-o. Queria-o curto, vacilei e assumi-o. Diferente de todos os outros e por isso talvez não o assuma e venha a apagá-lo. Assomas e não me assombras: vem cá olhar-me “olhos nos olhos” que eu dou-te um castigo!

Para o inominável supremo ignominio

segunda-feira, dezembro 26, 2005

Segundas-feiras sem meias medidas 11: Miguel Guedes

é preciso esperar alguns segundos até que a imagem carregue totalmente


A minha inépica cromática/informática não conseguiu sintetizar uma kriptonite verde. Se esta amarela for insuficiente para matar o "mandatário para a juventude à esquerda/blind zero à esquerda", pelo menos que cale aquela bocarra ("maior que uma locomotiva, mais chata do que uma bala disparada contra a parede, capaz de comer um arranha-céus com um só trago")

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Eu sou um Santa's Little helper.

Entro em período de reflexão, entrem também. 26 de Dezembro será o provável dia de retorno, por sinal uma Monday bloody Monday.
Entretanto podem seguir a segunda e última parte da minha lista cine-vingativa no Plano9. Irrita-me nela a rendição a alguns critérios, mas sobretudo o facto de não contar com nenhum western protagonizado pelo Clint Eastwood. Outras histórias.

Até breve. Bom Natal.



Ver quem se portou bem é trabalho. Os "Ho Ho Hos" são parte do ofício. A distribuição de presentes uma estafa.
Ver quem se portou mal é prazer. Os sorriso são sinceros. A vingança terrível.

quarta-feira, dezembro 21, 2005

António José Seguro

Pequena nota prévia: depois de constatar a extensão do texto, decidi elaborar uma versão mais curta do mesmo. Acabei por desistir dessa segunda versão por achar que uma prosa monótona se adequava a um réu monótono. Ainda assim, para garantir que sou minimamente lido por alguém, faço reparar que no meio deste palavreado aparecerão coisas como “…bilhetes escaldantes assinados pela Joana Amaral Dias…” ou “…noite de amores tórridos…” (e esta última transcrição está no fio da primeira).


Vamos falsear um bocado a coisa. Comprometo entregar-me a um exercício de pura abstracção. Mesmo tendo anunciado o falseamento da situação, prometo apresentar resultados nada falsos.
Eis o faz-de-conta a que me proponho: vou esvaziar a mente e eliminar tanto conceitos como preconceitos (e quão preciosos à retórica me são os preconceitos). Esvazio um pouco mais e varro qualquer registo que tenha do António José Seguro. A memória apaga-o; tudo o que é mnésico não será nemésico (confesso, já andava há alguns dias para fazer aquele jogo de palavras).
O pretendido com esta recreação é, mais do que a estrita recusa apriorística, o colocar-me na pele de tantas e tantas pessoas que, afortunadamente, desconhecem o deputado do Partido Socialista. Se o desconhecimento é casual ou auto-imposto como no meu caso, para aqui pouco interessa.
Então ando eu calmamente pela rua quando me cruzo com um total desconhecido. Não sei o seu nome, não sei o que faz na vida. A única coisa da qual estou certo, e passaram-se apenas 2 segundos, é que me cruzei com o ser mais aborrecido do Universo. Da História do Universo, arrisco. Está a cair o terceiro segundo desde que iniciei contacto visual e a sensação de tédio já é tão contundente que escancaro a boca num bocejo inaudito. O curto instante em que me deparo com o desconhecido enfadonho acaba por valer uma semana inteira de narcolepsia.
Se não se forçaram a esquecer nomes sabem de quem falava. Que é culpado de ser maçador torna-se óbvio. Serei eu capaz de engendrar uma vingança sem adormecer em cima dos esquiços?


Vem-me a benfazeja tendência de ser mais pedagógico que simplesmente punitivo. Ao invés de pura e simplesmente me desforrar do seguro tédio do Seguro, aplico-me no revigorar dessa alma insossa. Um pouco de cor não lhe fará mal.
Parto do princípio que os portugueses no estrangeiro sentem necessidade (e facilidade) em se associarem entre si. A amizade emigrante entre compatriotas é escape instintivo. Infiro portanto que, entre euro deputados haja maior afinidade relacional com os conterrâneos do que propriamente com os da mesma família política.
Mesmo que o António José Seguro já não seja representante no Parlamento Europeu, continua certamente a valer-se dos afectos instintivos do emigrante (sendo tão aborrecido não pode desperdiçar um dos escassos recursos para fazer amigos).
Começam as festividades. A vida do Seguro vai ser abruptamente apimentada quando receber os primeiros bilhetes escaldantes assinados pela Joana Amaral Dias. Sigam o meu raciocínio: se qualquer um perderia a compostura com correspondência sentimental advinda da JAD, ainda mais o sensaborão mortiço que só pode ter carências afectivas.
O mencionado elo dos euro deputados, quais ex-combatentes do ultramar, será o garante da não desconfiança. A configuração morfológica da JAD garante maior e galvanização certa.
Finalmente o encontro é marcado e nada mais perfeito que um baile de máscaras inserido na pantomineira campanha soarista. A Joana mascara-se de Frida Kahlo (com bigode e tudo) e o António não se mascara porque é demasiado monótono para essas coisas. Mas solta-se e a noite de copos acaba em noite de amores tórridos. A sobriedade do dia seguinte revela ao Seguro que o bigode da Frida é verdadeiro e os bilhetes falsos. Joana não tinha escrito uma linha nem participado na mascarada. Era tudo uma ciranobergeraquice (ui!) de outro eurodeputado. O sorriso matinal do Sérgio Sousa Pinto é o último toque colorido na vida do António José Seguro. Colorido rosa como o partido de ambos.
Nesse dia vai doer sentar-se na bancada parlamentar. Não me parece que seja pelo choque emocional que o correligionário lhe causou, mas qualquer coisa assim do género.

terça-feira, dezembro 20, 2005

Segundas-feiras sem meias medidas 10: Freitas do Amaral



Esta Segunda-feira é apresentada numa Terça devido a problemas com o computador.
O cigarro que o Freitas fuma é o mesmo segurado pelo Serge Gainsbourg na capa do "Love on the Beat"
Quem não compreendeu completamente este castigo, convido-o a enfiar um cigarro aceso na boca de um sapo.

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Lisbon city, Gotham city

Estou de viagem para a capital e retomarei o serviço na próxima Segunda, dia fatídico para quem rifar como vítima. Até lá, dou a seguinte sugestão: o Plano9, cineblog da minha preferência, publicou a primeira parte de um Top10 de filmes sobre Vingança. O seleccionador é este vosso servo. Escusei-me dos Truffauts e dos Fassbinders porque amanhã vou caçar pseudo-intelectuais no Bairro Alto e tenho que me apresentar purgado. A catana estará comigo e, estejam certos, não vai numa bolsa a tiracolo.


quarta-feira, dezembro 14, 2005

Presidenciais 2006: Breve declaração ao país.

Aqui sou imprecativo, não elogioso. Se apologizo alguém, tal manobra só me é útil para o alvo final de diminuição do réu. A toada negra da vingança não me permite outra estratégia e a estratégia devidamente estabelecida não me permite outra toada.
Sou um carrasco. A minha mão direita segura um machado, a esquerda está pronta a accionar guilhotinas. Nenhuma sobra para levantar cartazes de apoio.
A decisão de não me entregar a campanhas eleitorais é, por isto tudo, evidente. De qualquer forma assumo que a consciência política provém dos mesmos mecanismos que me accionam o senso de justiça e consequente ânsia vingativa. Mergulhando na actualidade, assumo que me é tão forte a tendência para um candidato como a reprovação de outros; se nenhuma mão tenho livre para justificações e apelos ao voto, justifico o apelo ao meu machado com as imprecações da toada negra.
A actualidade exige uma posição face às Presidenciais. A minha é clara e será proximamente patenteada. Em quem voto não é para aqui chamado. Em quem não voto será chamado o machado. Brevemente falarei do meu candidato “despreferido”, não necessariamente o que quero ver mais amplamente derrotado. A dica é reveladora: nao vai querer olhar “olhos nos olhos” quando vir o fio da navalha. Pedirá uma venda a este humilde carrasco.

A reflexão no texto surge após leitura dos comentários de um post sobre Soares. Acredito que há inconstitucionalidades no meu apoio oficial a um candidato. Com modéstia refiro a minha constituição bloguística sem letra maiúscula. Mas só mesmo por modéstia!

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Segundas-feiras sem meias medidas 9: Linkin Park



Estreiam-se protagonistas internacionais numa habitualmente atroz vingança de Segunda-feira. A morte colectiva também faz o seu debut.
O avião dos Linkin Park cairá em cima de todos aqueles que, comprando cópias dos discos da banda, proporcionaram o dinheiro para adquirir um jacto particular.

sábado, dezembro 10, 2005

Vingança refreada, vingador resfriado.



O título do post foi uma alternativa a "Estado em que se encontra este blog" ou "Hoje acordei assim". Para ser engraçadinho é que não foi.

terça-feira, dezembro 06, 2005

A primeira vítima estrangeira: Sean Penn

Numa daquelas entrevistas intimistas em finais de tarde da TSF, a nova coqueluche da música erudita, Domingos António, dizia algo que vou tentar citar. As palavras serão minhas e não se recomenda a leitura em voz alta com o sotaque de Domingos, mas basicamente este afirmava que “as celebridades têm uma responsabilidade de intervenção, de se fazerem valer do seu estatuto público para intervirem na sociedade, de chamar a atenção para certas situações” que se entendiam sociais, ambientais e políticas.
Ora o Sean Penn não precisou do recente aval do pianista português para o seu conhecido activismo. E é precisamente por causa de penns com megafones que eu considero errada a equação do Domingos, ou pelo menos que apresenta apenas parte do resultado: a aptidão para mobilizar o comum e incauto cidadão, dá-lhes a responsabilidade de intervirem socialmente na mesma proporção que lhes dá a responsabilidade de ficarem calados. Esta capacidade de mobilização tanto pode arrastar as pessoas para as causas certas como para as erradas. O problema é que o estatuto icónico é um cocktail de irracionalidades, de paixões não intelectuais. Não se idolatra o prestígio, nem é pelo reconhecimento profissional estrito que se fazem passeios às casas dos artistas de Hollywood.
Levanto o chapéu mais facilmente ao Arnold Schwartzenegger. Ele pode ter-se valido do tal estatuto icónico para conquistar votos, mas submeteu-se aos parâmetros políticos, entregou-se a debates e aceitou a soberania do sufrágio.
Pouco falei de Penn, mas não é pouco culpado. Acho-o um actor talentoso e aprecio vê-lo (não em coisas como o melífluo “I am Sam”, ou no difícil de engolir “A Intérprete” – um filme que apresenta a Nicole Kidman de metralhadora nas mãos tem a credibilidade de um produto de emagrecimento da TV Shop) a desempenhar com brio a sua profissão. Os anseios de vingança crescem quando me apercebo que aprecio ver as personagens que o Sean Penn interpreta por pressuporem outra pessoa. Gosto do Penn quando o Penn não está a ser Penn.

Os E.U.A estão fora da minha jurisdição, sobretudo por motivos financeiros (com isto faço crer que as minhas vinganças locais foram ou serão consumadas). Entretanto espero que um anjo vingador surja pelas terras do Tio Sam (não do “Tio I am Sam”). Nem pedia mais nada do que uma versão do Michael Moore que não fosse asquerosa, ignóbil, traiçoeira e de obesa canalhice. Um righteous realizador melga que perseguisse o Sean Penn e editasse um belo documentário, fundamentado mas mesmo assim ignóbil nos seus ataques, inteligente e impiedoso. Queria ver se, tal como fez quando viu o “Fahrenheit 9-11”, o Sean Penn ia rir às garglhadas com a boca cheia de pipocas.

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Segunda-feira com meias-medidas: Margarida Marante parte II

Chega ao fim a saga "Margarida Marante", a mais democrática que aqui exisitiu e existirá.
Agradeço os comentários deixados e os três mails que recebi. A decisão não foi fácil e acabei por adaptar duas sugestões. Da primeira, feita pelo amigo David Bengelsdorff, aproveitei a clemência (sinto-me um governador americano num estado com pena de morte). Da segunda, lançada pelo Ruben (que suspeito ser amigo também), retiro o imaginário do Indiana Jones. Saltei foi o capítulo e, em vez de me basear nos Salteadores da Arca Perdida, fui até ao Templo Perdido.




Suponho que vão surgir duas dúvidas: Em que é que fui clemente e a que se devem as interrogações do vilão do filme de Spielberg. Resposta para ambas: Margarida Marante não morrerá quando lhe arrancarem o coração, ela não tem um.

Voltei a usar uma mina de 0.5 para rabiscar a sequência. Apesar da clemência não ignorem este profundo sinal de desdém

terça-feira, novembro 29, 2005

Preservação dos recursos naturais

Não sei quantas figuras públicas terá o país. Duvido que o número ultrapasse um par de milhares. Isso põe-me sérios problemas. Num país tão pequeno com a comunidade de celebridades a essa escala, a minha percentagem de antipatias também deve obedecer à mesma matemática. Assim sendo, os rancores nacionais que guardo não são suficientes para garantir a longevidade deste espaço.

Duas estratégias engendro para me libertar do grilhão numeral.

A primeira passa por encetar vinganças contra figuras não públicas. Problema desta estratégia: a quem interessarão as minhas contendas mais corriqueiras com gente desconhecida? Se contar, por exemplo, sobre o homem que constantemente estaciona o carro na rotunda para ir buscar frango de churrasco dificultando-me a condução num itinerário habitual, quem irá buscar as forquilhas, as tochas acesas e os cães para se juntar a mim quando gritar "vingança"?

Por já ter evidenciado a falibilidade iminente da primeira estratégia, basta enunciar uma segunda já por mim aprovada – teria mesmo que sê-lo de tão simples. Essencialmente só tenho que revogar a minha exclusividade nacional e partir para alvos estrangeiros. O manancial de malquerenças alarga-se à porporção das inúmeras figuras públicas que andam lá por fora. Parece-me este o melhor estratagema sobretudo porque, desde a ameaça maior da gripe das aves, o homem do carro na rotunda refreou o seu consumo de frangos.

Mantém-se o título sem subscrições a Kyoto. Que venham 5 Louçãs para me bater.

segunda-feira, novembro 28, 2005

Segundas-feiras com meias medidas : Margarida Marante

O meu humor de hoje reproduz-se no sorriso da Margarida Marante.
Cedi à curiosidade dos contadores de visitas e acabei por ficar surpreendido com a quantidade de almas sedentas de justiça que aqui se vêm consolar. Em jeito de agradecimento a um tão inesperado público (e sim, a gratidão estende-se aos que cá vieram parar quando no http://search.msn.com.br pesquisavam “fotografias de geleia real”), a segunda-feira é-vos entregue.
Fiz o mais difícil que foi atar a Margarida Marante a um poste. O destino da senhora está agora, literalmente, nas vossas mãos. O email econtra-se ali no canto superior direito, os comentários mesmo aqui em baixo. Para a próxima semana apurarei o melhor castigo.
Amigos da “geleia real”, fiquem à vontade para porem as vossas próprias sugestões.



Aquela não é a Camilla Bowles.

A falta de referências fotográficas para retratar a MM traduziu-se num fenómeno curioso: quase todos os esboços que arriscava tornavam-se num Artur Albarran de cabelo comprido. A RTP nos anos 80 está emaranhada na minha cabeça.

Fontes seguras garantem-me que a MM é bastante baixa. Chegam a jurar que não mede mais do que 90, 95 centímetros.

sexta-feira, novembro 25, 2005

Rui Zink

Não sei o que me passou pela cabeça para ter atrasado tanto esta particular vingança. Recalcamentos, talvez. É provável que o Zink estivesse bem escondido no mais recôndito compartimento do meu cérebro; tivesse o escritor generosos seios, nem assim o Freud lá conseguia ir buscá-lo.
Como uma inesperada lâmpada luminosa (os trejeitos bedéfilos serão hoje uma constante) a ideia surgiu. Zink! É urgente vingar-me de Zink.
Já confessei aos mais chegados - preciso expiar estas coisas e não levá-las pesarosamente para o túmulo - que o primeiro contacto com o meu homónimo foi, digamos, favorável. Achei-lhe piada, está dito. Agora também se impõe uma ressalva: eu tinha 12, quanto muito 13, anos.
O malabarismo literário, a corda bamba das temáticas, as declarações políticas pantominadas qual mestre do picadeiro, o contorcionismo do seu estatuto, tudo isto e muito mais fazem do Zink um artista circense. Juntando a mais do que reconhecida faceta humorística, chegamos ao adjectivo claro e inequívoco: Palhaço. Se eu com 12 ou 13 anos já tinha idade para desapreciar o circo, fico em falta por não ter tido maturidade e discernimento suficiente para saber quem era ou não palhaço. Preciso vingar-me. Rui Zink não é um mero culpado, é um culpado que recalquei. Palhaço pobre.

Sendo o visado de hoje um fervoroso adepto, estudioso até, da Banda Desenhada, a minha estratégia vai assumir as regras dessa arte. O próprio tem traços de super-heroi: a prática de artes marciais, a eterna questão robin-hoodiana latente no comunismo, até o simples pormenor de raramente usar óculos nas aparições televisivas, qual dicotomia Clark Kent/ Super-Homem.
Para lançar o Rui Zink num combate de morte é preciso criar um inimigo que seja o seu negativo, a sua némesis, o seu arquetípico arqui-rival.
Entre inúmeras características que consigo formular para um negativo do Zink, prefiro cingir-me a umas poucas ignorando as demais políticas e literárias. Aliás, vou até resumir ao máximo e traçar o perfil do inimigo figadal com apenas duas cláusulas essenciais:
1ª - ter uma dicção impecável e distinguir correctamente a fonética dos éfes da dos ésses.
2ª (a mais importante) – caso vá ao programa do Herman José na SIC, destoar do ambiente geral.
Espero que esse novo herói apareça para um último e derradeiro combate. Espero impaciente: já liguei o bat-sinal.

quarta-feira, novembro 23, 2005

Simone de Oliveira

A Simone de Oliveira é uma espécie de Simone De Beauvoir sem o génio e sem o beauvoir. Ou seja, de tudo o que uma Simone poderia envergar de bom, nada tem. Dou-lhe crédito aos olhos. Dou-lhe outros créditos porque me agradava a voz e a presença do Varela da Silva, saudoso esposo. Também não venho propriamente aqui exaltar-me com o som envelhecido e rouco da outrora menina da rádio.
Assanha-me a pose. Os olhos (dou-lhes crédito) encrostam-se numa expressão facial que se torna altiva quando não deve. A arrogância permite-se, até como qualidade, a alguém com a idade e o talento de uma Agustina. Em velhas semi-velhas que são Simones sem ser de Beauvoir, a arrogância é demasiado arrogante para tolerâncias.
Olhos bonitos num corpo desdenhoso de madeira engelhada, insuficientemente velha e talentosa, suficientemente altiva para ser figura de proa em galeões holandeses abortivos. Emproada. Culpada.
Quase ouso pedir aos céus a devida justiça. A vingança e a responsabilidade são minhas, contudo. Serão estas mãos a sujar-se.

O universo teatral está descompensado. Simone foi demasiado bafejada. Sem lhe reconhecer alma para tanto, foi Alma Mahler. Com rugas assumiu a interpretação de Dietrich, Marlene a quem nunca ninguém viu velhice. Precisa de um papel que supra tamanho desnível, precisa de equilibrar a balança representando uma figura menos estimada que ela própria.
Já vejo os cartazes. Depois de alguém a ter convencido a colaborar com os entediantes Cool Hip-noise, não me parece que esta peça seja de difícil persuasão. Vai aceitar o papel assim que lhe for explicado o vanguardismo do conteúdo, a afirmação. Os incentivos dissimularão o óbvio ridículo. Vai aceitar o papel sem dificuldade. Já vejo os cartazes: “Simone de Oliveira é Margarida Marante em monólogos escritos e encenados por Rui Romano”. O óbvio ridículo não será dissimulado na estreia.
Volto a explicar a importância destes equilíbrios. Depois de ser Alma e Marlene, Simone precisava descer degraus. Descer muitos degraus. Todos esses que equivalem a uma Margarida Marante. Isto para refrear ânimos e evitar um mau precedente: o mundo será melhor se o Winston Churchil nunca for interpretado pelo Tó Zé Martinho.

segunda-feira, novembro 21, 2005

Segundas-feiras sem meias medidas 8: Diogo Morgado



Ambas as imagens pertencem ao filme "Collateral".
Não consegui resistir à coisa de pôr o Ray Charles a fazer de Jamie Foxx.
O acidente que o rei Ray vai provocar, garanto, não tomará vidas inocentes. O próprio músico escaparia com vida não fosse o caso de ter falecido recentemente.

quarta-feira, novembro 16, 2005

Fernando Pereira

Quando cantarolava o “We are the world”- teria uns 5 ou 6 anos- esforçava-me para desdobrar em vários timbres e dicções, tentando imitar distintamente os diferentes artistas que participavam na canção. Poucos anos mais tarde, um jovem de bigode farto fazia-o na televisão. A actuação do imitador farafalhudo não era integralmente brilhante. Eu até achava que o meu Kenny Rogers de pré-primária se aproximava mais do original.
Entretanto cresci e com maturidade acabei por entregar que o Kenny dele era superior, embora ainda não consiga processar o Fernando Pereira com qualquer critério de brilhantismo.
Entretanto cresci e com maturidade acabei por reconhecer que o imitador decresceu. Imaturou-se. O ar de sonso estava lá no início, mas a sinceridade de um portuguesíssimo bigode farto ainda abonava tanta paspalhice. Sobra um pateta de mil vozes com uma das mais indignas pilosidades que afloram (assolam) por aí. O fino risco, que começa em bigode e vai circularmente desaguar a pêra, é motivo de condenação extrema pelo qual ainda serão aqui julgados biltres como o José Carlos Malato. Não se contentando com a vilania do mustache, o Fernando Pereira ainda exibe daquelas franjas que já eram más quando estavam na moda.
A estética declara-o culpado. Sem invejas, ainda assim prefiro vingar-me do Fernando Pereira que imitava as vozes do “We are the World”: se há 20 anos estávamos em sintonia, sinto que qualquer diminuta empatia foi aparada como o bigode.

Vem-me à cabeça “ O Processo” de Kafka. Absurdos kafkiano constituiriam uma vingança demasiado valiosa para a pobreza de espírito (não no sentido das beatitudes - alguém me entenderá) do Fernando. Mesmo assim mantenho a inspiração d’”O Processo” e arranjarei maneira de capturar o imitador e lançá-lo num qualquer calabouço fictício. As acusações? Falsificação: falsificação de notas (musicais), falsificação de falsetes (aliteração). O tribunal, também ele kafkiano, também ele fictício, condenará o Fernando Pereira a escrever 100 vezes “Não devo imitar x”. Serão 100 por cada cantor que recreou em palco.
Recordo-me de uma professora primária ter usado esta estratégia quando um embirrento aluno cismou em repetir constantemente as palavras do colega. O gozo redobra-se porque, para um imitador, eu imitei um castigo.

terça-feira, novembro 15, 2005

Soares ou não Soares...

Acordo todos os dias tentado a atacar Soares. Corrijo: levanto-me todos os dias tentado a atacar soares; as noites são invariavelmente em claro a pensar nisso e deixa de existir acordar.
Se não é mais forte do que eu é, no mínimo, tão forte quanto eu. Tenho resistido até agora, mas temo que a insónia vença e me conduza a punir Soares antes que a esmagadora maioria dos eleitores portugueses o faça.
Os meus amigos dão-me Xanax e tentam afastar-me do assunto. Os mais chegados, se suspeitam que o ex-Presidente da Republica está prestes a aparecer na televisão, desviam-me a atenção com fotografias do Miguel Guedes e para lá canalizo as minhas imprecações. Se o Mário Soares apareceu repentinamente, o plano de contingência passa por um disco dos Blind Zero a tocar. Mais por respeito a tão desesperado recurso refreio-me.
Não ter cedido à ansiedade até ao momento é o único aspecto que ainda me dignifica. Os amigos ajudam outra vez e apelam ao meu bom-senso com bom-senso. Dizem-me para “recordar a linha traçada de não atacar alvos óbvios”. Um outro chamou-me mesmo à atenção: “Estás a bater mais no ceguinho se atacares o Soares do que se fores distribuir calduços para a porta do Centro Helen Keller”.
É tão forte quanto eu. O choque entre a ansiedade vingativa e o bom-senso imerge-me na profunda inércia, adormece-me até quando passo as noites em claro.
Não sei a que facção cedo quando venho aqui escrever este texto, se à ansiedade vingativa se ao bom-senso. Caso acabe por ceder à primeira e cobardemente ataque Mário Soares, uma coisa tenho como certa: sobre mim próprio farei recair vingança.

segunda-feira, novembro 14, 2005

Segundas-feiras sem meias medidas 7: Sérgio Sousa Pinto



A morte chega na versão do Psico original do Hitchcock, não na do Gus Van Sant.
A versão do Sérgio Sousa Pinto é a única, telefilme de segunda.

quarta-feira, novembro 09, 2005

Pausa



Parto para uns breves dias de amnistia. Volto na Segunda-feira tão impiedoso como sempre.

terça-feira, novembro 08, 2005

Simara

Se ser preconceituoso passa por pruridos apriorísticos sobre estereótipos físicos, então eu não sou preconceituoso. Digo-o porque me dá gosto simular uma contradição com a Simara, que é, acima de tudo, gorda desprezível. Tenho alguma coisa contra os gordos? Não, mas tenho contra as Simaras. O preconceito é suficientemente forte para chamar “Simara” a esqueléticos ou obesos que queira ofender.
Preconceituoso é, afinal, quem achar que ofendo a loira brasileira quando secamente lhe chamo “gorda”. Estou é a ofender involuntariamente os gordos. Se me descuido e chamo à cantora “pote de banhas”, estou a ofender os potes de banhas.
Contra a baleia oxigenada tenho argumentos de peso. Mesmo adivinhando-lhe a mais repugnante glutonaria, não é por aí que pego. O que me irrita sobremaneira na gorda da Simara é o desplante de ter no repertório (entre repetitivas barafundas carnavalescas) cançonetas de pouco subtis trocadilhos sexuais, muito impróprios para um homem, ainda mais para uma senhora.
Eu que não sou preconceituoso dito que ela é culpada. Eu que não sou preconceituoso exijo vingar-me por, ao ouvir as suas músicas, não conseguir tirar da cabeça a imagem de uma Simara vestida com diminutos trajes de carnaval carioca. Brejeirice por brejeirice, eu que não sou preconceituoso prefiro o Quim Barreiros, que pelo menos não é gordo nem brasileiro.

Um Presidente da Republica cessante pode ser demasiado laxista para os meus planos, mas mesmo assim arrisco no bom-senso e talvez antecipe a tentativa: fotografias da Simara no corso carnavalesco de Loures em 2004 (o traje cintilante não escondia nada das bamboleantes carnes gordas) penso constituírem motivo suficiente de deportação da geleia loura para a terra dela.
…Estou a ser demasiado impiedoso, coisa que nunca me parou antes, é certo. Mas vou reformular a vingança e, em vez da crua punição, vou oferecer uma solução. Prosseguirei até ao último esforço para poder oferecer à senhora dona Simara uma operação para colocar a tão necessária banda gástrica. Acho que é um gesto bonito da minha parte e assim posso refazer-me de uma ou outra coisa menos simpática que afirmei. Deixará de ser obesa e as minhas ofensas também deixarão de ser gordas. É claro que vai acordar da anestesia geral na sua terra, brasileira d’um raio!

segunda-feira, novembro 07, 2005

Segundas-feiras sem meias medidas 6: Edson Athayde



Uma pequena explicação parece-me necessária para os mais desprevenidos: olhar na direcção do Charles Bronson por um período de tempo superior a 2 segundos é estar a pedir-lhe um tiro na testa.

sexta-feira, novembro 04, 2005

Mais uma lista de exclusão provisória

Se não concordo com os poucos emails que recebo, discordo não agastado. Tenho prazer em aceder a alguns nomes requisitados (o último é um exemplo disso), mas acontece rever-me pouco em vítimas propostas. Não é birra, nem é ser do contra por sistema, nem é autismo. Despotismo é, já o assumi várias vezes. Não enforco qualquer um e as injustiças alheias só interessam quando chegam ao meu quintal. Tanto não faço posts com pessoas que me parecem demasiado desinteressantes (ou demasiado óbvias, acontece), como também retiro de possíveis posts pessoas que são gratas neste meu espaço absolutista. É o despotismo do despostismo.
Assim sendo vou periodicamente avançar com curtas listas de intocáveis, personagens habitualmente denegridas que, por enquanto, não só se excluem da minha vingança como por uma ou outra característica me suscitam admiração. Bonomia. Mas eu disse “por enquanto”!

- José Cid

- Manuel Luís Goucha (isso mesmo, é o que estão a ler)

- ou o Luís Montez ou o José Veiga (não os consigo distinguir)

- Mário Soares

- Júlio César (do Casino do Estoril)


Pronto, pronto, o Mário Soares era mesmo a brincar. Não se pode ser sempre bruto sanguinário, tem que haver este humor de descompressão uma vez por outra.

quarta-feira, novembro 02, 2005

Maya

As bruxas que esperam condenação na fogueira das vaidades, essas eu afogava!
Charlatanices à parte, as cartomantes da TV são umas intrujonas. Charlatanices à parte, a cartomancia em geral é uma intrujice. Intrujices à parte, é tudo uma cambada de charlatães.
Às minhas mãos, dificilmente escaparia alguém dum elenco de programa matinal na televisão portuguesa. O cerco aperta-se quando me foco no da Fátima Lopes, manifestamente o pior. Haver na equipa uma bruxa escarlata não abona em benefício de nenhuma das partes.
No meu entender a Maya é uma Linda Reis mais despudorada. Não simula possessões nem promove a mais abominável nudez, mas tem a desonestidade de ler o futuro em cartas sem se deixar contaminar pela aparência xamanística, sem se fazer corresponder a uma praxis do oculto, sem estrebuchar e mostrar as mamas. Ainda assim, tanto a Maya como a Linda se anunciam mestres das ciências ocultas e isso traz-me algumas questões: porque é que damos mais credibilidade à cientista do oculto Maya e menos à cientista Linda? Terá a Maya frequentado uma Faculdade de Ciências do Oculto de maior prestígio? Na volta é tudo uma questão de higiene pessoal ou de um qualquer paradigma que reconhecemos na Samantha do “Casei com uma feiticeira”.
É claro que a Maya é culpada, o meu despotismo (que aqui impõe como Lei a descrença em cartomentiras, astrologros e afins) nem sequer põe a hipótese de outra deliberação.

Por me exasperar a matéria, bastava recuperar a metodologia punitiva medieval para os casos de feitiçaria qualificada. No entanto as minhas vinganças (com a devida excepção das sumárias segundas-feiras) não são capitais.
Gostava de vê-la lidar com sobrenatural hard-core, como uma possessão demoníaca no boneco de ventríloquo do “SIC 10 Horas”, a combustão espontânea da Árvore das Patacas, um Cláudio Ramos heterossexual ou um pensamento inteligente por parte da Fátima Lopes. Como não acredito na possibilidade de nenhuma destas coisas, oh, que se lixe, queimem a bruxa!



A vítima do dia foi uma sugestão do Mukankala

segunda-feira, outubro 31, 2005

Segundas-feiras sem meias medidas 5: Mia Couto


sexta-feira, outubro 28, 2005

Victor Espadinha

O cheiro a tabaco duma camisola no dia em que só restavam lugares para fumadores no Inter-Cidades : assim é a culpa do Espadinha, um fedor entranhado, espesso e insalubre. Tenho contra ele o maior dos delitos, a mais rasteira infracção. Não se perdoa quem poderia ser uma personagem de culto e decide desbaratar-se da pior forma: sendo ele próprio. É culpa que não sai, cheiro fétido do cigarro e da halitose tabagista.
Conheci o ícone Victor Espadinha no invólucro de “homem que tinha sido tudo”. Cantor, actor, palhaço, toureiro e, acima de todas as coisas, emergente figura de culto. Quem não se recorda da feliz rentré no soberbo monólogo cavernoso para um tema dos Ornatos Violeta? Quem consegue agora esquecer-se do tinhoso maluco do riso, actor de teatretas, opinante na asnice, castrador do seu latiníssimo legado estético. Bah…não tenho a mínima consideração por quem faz do estatuto iconográfico a mais deslavada barganha. Culpado! Preferiu aparecer mal-cheiroso para sempre do que resguardar-se para a imortalidade. O castigo será também eterno: prometo fazê-lo Prometeu!

A dica deu-me Dickens. Com uns efeitos visuais baratos (não se poupando numa noite de copos oferecida previamente ao Victor), a casa do infractor vai ser invadida a três tempos. O “Fantasma do Espadinha Passado” entra em cena. Com a magia do projector de vídeo faz-se rodar na parede o filme de um jovem ambicioso. Impecável macho latino, o Victor Espadinha ainda moço é retratado num triunfal passado, entre moçambiques, inglaterras e portugais, dedicação e inspiração, petiscos e gira-discos, Hugh Hefner e Joe Dassin.
O “Fantasma do Espadinha Presente” não prossegue na toada. Pequenos clipes tornam possível provar que o público só o distingue da Marina Mota pela quantidade e cor dos pêlos usados nos bigodes postiços.
Fecha-se com o “Fantasma do Espadinha Futuro”. Curto e cru, um filme do porvir: entre as referências aos falecidos artistas ouvimos dizer “saudoso José Carlos Ary dos Santos”, “saudoso Varela da Silva”, “saudoso Joel Branco”, até “saudoso João Baião”, para tudo terminar com o póstumo cognome “seboso Victor Espadinha”.
No fim prevê-se a repetição da noite de copos. De olhar amargurado para um barman, desta vez bebe-se para esquecer.

quarta-feira, outubro 26, 2005

Rogério Samora

Nem só de párias isto se alimenta. A minha questiúncula com o Samora surge embrulhada num misto de admiração. Os dotados passeiam no fio da navalha porque lhes exigimos responsabilidades para com os dons. Pessoalmente acho o Rogério Samora muito dotado: é um notável actor, tem aquela arrogância que não se confunde com charme porque é mesmo charme em estado bruto, veste um blazer escuro com camisa branca aberta como nenhum outro. Possui uma das mais cativantes magrezas do panorama artístico português e, perdoem-me os que ainda não entenderam lá muito bem o fio estético que conduz esta coisa, é dos gajos mais bonitos que poluam as telenovelas ou filmes nacionais. Uma espécie de Vincent Cassel, com óbvias desvantagens em relação ao francês:

O Vincent faz filmes franceses e americanos – O Rogério faz filmes portugueses e telenovelas da SIC transmitidas às 4 da manhã;

O Vincent, que se saiba, não tem nenhuma página da Internet gerida por ele próprio - O Samora, por seu turno, tem um fraquinho www.rogeriosamora.com que descura a deliciosa pulhice egocêntrica que lhe reconheço, ficando-se num insosso e muito pouco sublimado narcisismo;

O Vincent é casado com a Mónica Bellucci – O melhor que o Rogério consegue é sucessivamente ser casado com a Alexandra Lencastre na ficção. Se elogio a magreza, seca e viril, do Samora, já não o faço no caso da actriz portuguesa que vai perdendo interesse a par com peso. Demasiado leve para o Olimpo, enquanto apelido de deusa a Mónica do Vincent, deixo a Alexandra do Rogério entregue à mortalidade. Ela que recupere a robustez que eu nomeio-a divindade escandinava, de tão roliça a querer.

Feitas as contas vejo o nosso mais decoroso (na sua esbelta e indecorosa displicência) compatriota a levar 3 – 0 de um gaulês. Tem que haver culpas a atribuir e não me parece justo fazer recair vingança no Cassel, tão impoluto é o seu currículo. A palmatória clama por Samora.


O Rogério precisa de um abanão. Uma valente despromoção vai fazê-lo aguerrir e talvez o vejamos qualquer dia, blazer escuro e camisa branca aberta, a constituir família com uma Alexandra Lencastre real (ou seja, fora da ficção e de carne e osso, não só osso).
Como despromovê-lo? Muito fácil. Não consigo pensar em alguma coisa pior do que retirá-lo dos filmes do Fernando Lopes e atirá-lo para uma chungaria qualquer do Leonel Vieira.
Bem…menti quando disse que fazer o Rogério Samora decair de filmes do Fernando Lopes para filmes do Leonel Vieira era a pior coisa em que podia pensar. Passar do Fernando Lopes para o realizador do sucesso português “Sorte Nula” é um cenário mais aterrador, mas o nome desse realizador não sei nem quero saber.

terça-feira, outubro 25, 2005

Tóli César Machado

Para mim o Rui Reininho não é o barómetro dos GNR. Reininho é um dado adquirido, uma constante que escapa às avaliações mais ou menos favoráveis que teço ao Grupo Novo Rock. Uma boa constante, diga-se. Está inserido na banda e é a sua cara, mas posiciona-se acima do conjunto, escapando às flutuações e pairando (metáfora tão impregnada de surrealismo como o próprio personagem) acima de boas ou más apreciações.
É já óbvio que o Rei Reininho fica dispensado de surgir nestas paragens dando título a um texto, por isso volto à questão do barómetro para seguir noutras direcções. Os GNR, numa consideração própria (pouco considerada propriamente, mais imediata) têm dois pólos: o primeiro sustenta a formação como o melhor grupo português da música pop; o segundo aponta para uma mediana banda nacional. Ao primeiro pólo chamo Alexandre Soares, ao segundo Tóli César Machado.
Posso estar a ser injusto, mas isso nem sequer seria novo por aqui. Digo-o em consciência. O apego pela melhor banda pop deste país leva-me a querer atribuir culpas pela mediana banda que passa a Sexta-feira em Albufeira. A vingança tem o meu nome, já a culpa chama-se Tóli César Machado.

Percorrerei o país a intentar contra certos telefones. Preciso arranjar uma estratégia, em muito dependente de pormenores técnicos que agora desconheço, para cumprir um simples plano que se baseia no reencaminhamento de chamadas.
Escaramuças em bairros sociais, choques de tractores das vindimas com veículos ligeiros, roubos de caramelos em mercearias, distúrbios com ucranianos embriagados, tudo isto e mais alguma coisa, da próxima vez que alguém quiser chamar um GNR, preciso certificar-me que é o telemóvel do Tóli César Machado que vai tocar.

segunda-feira, outubro 24, 2005

Segundas-feiras sem meias medidas 4: Luís Filipe Borges



O Alien usado é do primeiro filme da série (na altura em que o Ridley Scott ainda fazia cinema acima da profunda mediocridade)

sexta-feira, outubro 21, 2005

Esquadrão G

A conjuntura é má e todos sabemos disso. Um país que não tem homossexuais dignos desde o dia 13 de Junho de 1984 merece a cauda da Europa.
O Esquadrão G deixa-me indeciso. É um fenómeno demasiado fresco para que perca tempo com ele e é um fenómeno demasiado estúpido para que perca tempo com ele. Por outro lado é demasiado estúpido para que não perca tempo com ele. Que fazer? Perco pouco.
Não sei os nomes de nenhum. Na minha cabeça distingo-os como se dos 7 anões se tratassem. Há mesmo o “Rezingão”, o “Imbecil imberbe”, o “Contente por estar na televisão”, o “Versão feminina da Ana Afonso” e o “Brandon Lee da Brandoa”.
Todos pitorescos, todos coloridos, todos culpados de despertarem em mim não a homofobia, antes talvez a homorrisibilidade se me permitem neologismos.
Devem ser culpados de muita coisa, nem quero saber. Hoje condeno-os porque enquanto saem do armário, dão voltas a decorações e fazem variações com visuais, o nascido António Joaquim Rodrigues Ribeiro não sai do caixão, dá lá muitas voltas e não há cá Variações.

Afirmei que dispensava perder tempo e assim prossigo. O castigo começa já aqui com um boato em lançamento:
O esquadrão G é responsável na totalidade pelos cabelos do Luís Represas e da Maria José Valério.

quinta-feira, outubro 20, 2005

Lista provisória de exclusão

A segunda mensagem de correio electrónico que recebo é, finalmente, uma de sugestões ao invés da primeira que se ficava nas felicitações. Deixarei ambos os remetentes como anónimos, por motivos que da mesma forma se fazem querer no anonimato.
O caro amigo que me saudou com a sua lista de alvos a abater fê-lo com muito má orientação. Mea culpa. Apresentou o seu rol de malfeitores, sem justificações, como se de inimigos públicos me alimentasse. Estou pouco ralado com pragas mediáticas e só cederia em atacar um ou outro indivíduo no caso deste me ter sido justificado como injusto.
Não houve sintonia, confesso. Para prevenir uma repetição, engendro rapidamente a seguinte curta lista de pessoas que, por muito óbvias que sejam para inclemências de multidões, aqui não estão em desgraça nem muito menos serão crucificadas. Os poucos próximos nomes são, então, alguns que para já recuso ver a vermelho na minha caixa de correio:

- José Maria Martins
- Joana Amaral Dias
- Tony Carreira
- João Kleber
- George W. Bush
- Nuno Homem de Sá
- Constança Cunha e Sá

Por outro lado, continuo receptivo a picardias minimamente fundamentadas. Há por aí alguém que me ofereça um belo intróito contra o elenco da “Revolta dos Pasteis de Nata”?

quarta-feira, outubro 19, 2005

António Vitorino

As minhas chispas com António Vitorino não são de agora. O facto de estar nada predisposto a perder muitos parágrafos com ele (como fiz em tempos, sentindo-o insuficiente) surge na tenção de arremessar uma mensagem curta sobre um curto. Antes que caiam na estupidez de me dar o benefício da dúvida, aclaro que sim: a última frase tinha o mau gosto de explorar a baixa estatura física de Vitorino. Diminui-o por ser diminuto e não fico com problemas de consciência. Prefiro que gaste menos tempo a olhar para o espelho no exercício do egotismo e mais a constatar o nanismo.Está careca de não o saber.
Pequeno, mas como estômago grande o bastante para ter o “rei na barriga”. Sou menos físico agora, juro, mas nem mais ou menos a consciência me agride
Cumpro o prometido e serei parco na argumentação. O motivo invento-o com a legitimidade de mandar totalitariamente neste tribunal: Vitorino tem tamanho de menor por isso não será julgado, mas, não obstante a estatura, ele é imputável e resolvo a situação condenando-o sem julgamento. Não estou menos errado sem alegações. Aqui nunca haveria defesa. É culpado, e eu serei vingado.


Assim será: António Vitorino recebe convites para concerto do conjunto preferido. Em Portugal deve ser uma xaropada organizada pelo João Gil, mas para garantir que o meia-leca comparece, terá que surgir um nome internacional, qualquer dessas pasmaceiras com selo RFM. Nada de músicas eruditas que, em nome de um estatuto, diz socialmente estarem na predilecção; tem que ser um grupo que toque para públicos em pé. “Simple Minds” a recusar reforma devem fazer as delícias do político com idade para ter sido fã.
Excitado e nunca desconfiado, Vitorino dirige-se ao recinto com o seguríssimo ar que lhe reconheço, nunca suspeitando das circunstâncias à sua espera: a primeira, o público maioritariamente constituído por atletas de voleibol do Castêlo da Maia. Ao avizinhar-se a hora da actuação prevejo um Vitorino com progressiva perda de compostura e, num momento de sinceridade(equilibrado com sorrisos pouco sinceros) acaba por pedir em voz bem alta aos voleibolistas para se afastarem caso contrário «Os Simple Minds não vão conseguir ver-me». O desejo é concedido com o início do concerto. Arredam-se os desportistas e Vitorino apercebe-se que um terrível plano foi reservado para si quando, em vez do grupo britânico, subir ao palco o brasileiríssimo Nelson Ned. Se acham que todo este meu castigo é um profundo e estapafúrdio disparate, ainda não leram nada. No que premedito, o cantor romântico vai chamar Vitorino ao palco e oferecer-lhe um joelho dobrado para se sentar. Não querendo despender actos de antipatia em público,o baixinho calvo acede.
É tudo estapafúrdio, disparatado, sem nexo, de mau gosto, sem graça e acima de tudo demasiado rebuscado, mas é assim que sou. A visão do Vitorino ao colo do Nelson Ned é daquelas coisas que me alegram as noites (mesmo que o castigo seja muito brando ao oferecer uma noite musical de muito qualidade que a esperada).
Ned e Vitorino na partilha dum palco é tarefa impossível, mas vá-se lá saber. Coincidências acontecem…it’s a small world.

segunda-feira, outubro 17, 2005

Segundas-feiras sem meias medidas 3: Fernando Rosas



"Os Fuzilamentos da Moncloa" numa visão de Goya e num desejo de Rui Romano

sexta-feira, outubro 14, 2005

Luís Osório

Não confundir com o maestro Pedro Osório, isento de qualquer sanção congeminada neste espaço. Luís Osório, ex-director do jornal “A Capital”- a este solto os cães.
Tem o capricho de impregnar de solenidade tudo o que bastava ser sério. Tem o costume de acompanhar com sorriso etéreo e olhar no infinito tudo o que impregna de solenidade. O entusiasmo facial é enjoativo e a candura oficiosa, aplicada à mais altiva opinião, dá-lhe um ar de seminarista apaixonado. De tão monstruosa ser a postura arrisco apostar, sem nunca o ter visto, que fecha os olhos e sorri quando come alguma coisa do seu agrado.
Há paciência para quem se perfuma tão excessivamente de bucolismo pela manhã? Dá-se crédito a um copinho de leite cujo maior acto de emancipação foi tatuar o John Kerry na coxa? É inocente quem, cerimonioso, arfa ao ponto de embaciar os óculos ganhando legitimidade para negar arrastões? Não, não, não e é culpado!

O primeiro castigo que me ocorre é demasiado óbvio. 500 pretos a correr atrás do níveo Osório numa praia com polícias a dizerem-lhe que não vêem ninguém, seria nada mais do que um doce (que eu degustaria com largo sorriso e olhos fechados). Não só por ser óbvia, esta vingança de pouco serve : está a confrontar o Osório com a punição de atitudes que me passam quase ao lado. Minto se demonstrar simpatia com o que escreve, diz ou pensa, mas o que realmente me apetece penalizar é o constante ar plácido, a cara de acólito em paróquia de aldeia, a simpatia tépida de seminarista deslumbrado.
Estou decidido a tudo fazer para forçá-lo a aceitar a vocação que a sua cara irradia. Convidá-lo para programas televisivos (onde apenas na gravação se depara que são sobre a Igreja Católica Apostólica Romana) vai começar por ser um engano incrivelmente recorrente para se tornar num hábito despercebido. Inadvertidamente tido já como perito nos assuntos da Santa Madre Igreja, volta aos jornais substituindo o Frei Bento Domingues. O próximo passo é assinar a coluna como Frei Luís Osório e, passando por várias etapas que me escapam no planear momentâneo, vai acabar como pároco de Santa Comba Dão. Estará em paz com a expressão facial e essa graça me basta.
Em caso de falha sempre posso recuperar um plano C que é A. Numa praia, 500 pretos perseguem um branco com cara de padre até ele se assumir como isso.

grande parte da vingança de hoje foi inspirada num stand-up do meu amigo R. Almirante, bastonário da ordem dos tatuadores.

quinta-feira, outubro 13, 2005

João Pedro Pais

Caminho sobre gelo fino. À partida nunca é de bom tom acossar um jovem com aspecto tão bonacheirão e olhar dócil de quem teve o passado sofrido. Uma coisa então deixo clara: neste espaço não há vacas sagradas e muito menos bambies sagrados. Também não é pelo facto de escrever letras em português que o João Pedro Pais está automaticamente dispensado da minha convocatória punitiva. Até me reduzia a urticária se ele traduzisse coisas como “Sou um ser que odeias mas que gostas de amar/Um barco perdido à deriva no mar” para o mais macarrónico dos ingleses.
Na verdade, musicalmente sinto-me mais próximo de outros ex-casapianos que nos telejornais falam com voz distorcida. Gelo fino. Sei o que piso.
Quem gostar de 300 metáforas de pacotilha enfiadas em rimas imbecilmente fáceis, por si embrulhadas nos mais enfadonhas acordes, faça favor de comprar os discos do jovem. Mas quem gosta de 300 metáforas de pacotilha enfiadas em rimas imbecilmente fáceis, por si embrulhadas nos mais enfadonhas acordes, é parvo. Obviamente há a questão (descubro-lhe uma carga subliminar fortíssima) de seguir a carreira do bom rapazinho martirizado pela vida e comprar-lhe os discos - do João Pedro Pais ao Pirilampo Mágico vai uma distância tão pequena que até o luzidio amoroso dos olhos é indistinto.
A minha obrigação é vingar os consumidores da música do JPP, estejam eles satisfeitos ou não. O subliminarmente “miúdo desafortunado” é aqui declarado culpado.

Apetece-me trancá-lo numa sala e pô-lo a ouvir as próprias canções até admitir que entrar “pela vitrina surrealista”, entre outras, é uma coisa demasiado idiota para se incluir numa música. É que, mais do que propriamente o gelo fino por onde caminho, o subconsciente charme da desventura no João Pedro Pais leva-me a preferir, acima da punição, a sua reabilitação. Isso é impossível, sei-o bem, mas há qualquer coisa naqueles olhinhos casapianos que, antes de derreterem o glaciar do meu soalho, me liquefazem o coração de gelo. Venham as vacas sagradas que o pequeno veado deixou-me sem vingança.

quarta-feira, outubro 12, 2005

José Rodrigues dos Santos

Nos anos 90, mais do que a guerra do Golfo, o massacre de Dili ou os crimes de guerra na ex-Jugoslávia, os noticiários televisivos foram arrebatados por uma catástrofe sangrenta: a piadinha final do pivot de informação. Talvez esteja a ser injusto com o José Rodrigues dos Santos, já que a nova dinâmica jornalística da SIC esteve no lançar do nefando hábito… Mas Sic transit gloria SIC, e foi o cabeçudo da RTP quem ganhou Globos de Ouro às custas da despedida engraçadinha culminada com sorriso farto e piscar de olho opcional. Querem cunho pessoal e entretenimento no vosso jornalismo? – reponham no ar o “Nutícias”.
A sentença é clara. O José Rodrigues dos Santos é culpado de ser pouco mais que um chistoso e intrometido ardina. Os direitos do telespectador, manchados pela pilhéria, têm que ser vingados!

O ardil é tão simples que quase sinto vontade de fazer cair alguma vingança sobre mim próprio. Se virem o jornalista em directo a falar do “secretário de estado Luís Esparteiro” ou da “nova chanceler alemã Burda Moden” só posso dizer que consegui assumir os controlos do teleponto com sucesso. Não vou, contudo, escapar ao amargo de boca nesta vingança, particularmente pela escassez: o José Rodrigues dos Santos vai reparar bem cedo nas adulterações e passar ao improviso esquivando-se do teleponto; ao primeiro intervalo denuncia-me e eu sou expulso do local.
Isto quererá dizer que sofro outra derrota nas minhas demandas? Nada disso, o plano é mais simples ainda do que fiz prever: antes que me apanhem corro para o estúdio e, de mão semi-aberta em arco, assento uma chapada ruidosa na estranha nuca trapezoidal do Rodrigues dos Santos.
Vitória de um orgulhoso rufia sem rodeios! Vingança física de aspiração siciliana. E esta hein!?

segunda-feira, outubro 10, 2005

Segundas-feiras sem meias medidas 2: José Magalhães



A nave espacial é a dos "Pigs in Space" do saudoso Muppet Show
O fato espacial é levemente influenciado pelas recordações do Tintin na Lua.
O José Magalhães foi rápida e displicentemente desenhado com uma mina 0.5 que estava à mão.

sexta-feira, outubro 07, 2005

Miguel Sousa Tavares

Bons genes e mau génio. Foi casado com a Laurinda mais tediosa que este país alguma vez poderia ter parido, razão suficiente para mergulhar qualquer criatura na completa sisudez. Muitos bocejos matrimoniais deixaram-lhe a boca em mau estado, uma autêntica semicircunferência voltada para baixo nos antípodas de um sorriso. No fundo é uma besta este Miguel Sousa Tavares, sobretudo por falar com o aparente desdém de quem escarra para o chão. Confesso não lhe guardar desrespeito intelectual (talvez por isso a evocação da Laurinda Alves numa introdução que o vê como vítima), mas também nenhuma afinidade ideológica. Reservo-lhe apenas a displicência de quem tem na displicência uma morfologia facial constante. Aqui, agora, deseja-se vingar a antipatia. Sophia de Mello Breyner Andresen gerou um culpado!

Para o invernoso Sousa Tavares traço um plano muito estival:
Início do Verão, Praça Rodrigues Lobo em Leiria. A feira do Livro tem como convidado do dia o malfadado Miguel. Irá estar disponível para autografar o seu romance “Equador” a partir das 9 da noite. Surge entretanto a alteração ao estabelecido quando eu, às 20:45, já estiver a assinar as cópias do livro. Quando chegar o Miguel Sousa Tavares às 21:00 e, sem paciência, quiser reclamar o seu lugar, contesto-lhe a identidade. É a minha palavra contra a dele e eu consigo ser um tão bom (mau) Miguel Sousa Tavares quanto o verdadeiro. Proponho-lhe que façamos uma justa de maus-humores. Quem conseguir ser o maior cretino carrancudo ganha o direito de autografar os livros. É óbvio que o verdadeiro escritor vai ganhar o concurso no exacto segundo seguinte quando, de paciência esgotada e semicircunferência bocal virado para baixo, abandonar Leiria regressando a Lisboa pela A8. Por mim fico até à meia-noite a assinar cópias do “Equador” ao lado de uma fotografia dele de dimensões reais recortada em cartão.

terça-feira, outubro 04, 2005

Interrupção voluntária não referendada (ao jeito do PCP)

Dia 4 de Outubro, feriado caseiro, 5 de Outubro nacional. Dois dias sem alvos. Considerem-no uma amnistia, mas nada de abusos.

segunda-feira, outubro 03, 2005

"Segunda-Feira sem meias medidas apresenta": Catarina Furtado

As minhas seguintes intenções de desamor não vão só para o alvo em questão, mas para todos os apreciadores de pernas que aceitam uma namoradinha de Portugal sem criteriosa volúpia.
Não me é recente o embirrar: a Catarina wonderbra da Operação Triunfo já figurava nas listas de incineração desde tempos mais recuados (Catarina wonder-woman no Chuva de Estrelas). “Catarina actriz com curso em Inglaterra” e “Catarina letrista de sucesso musical da banda do palerma do namorado” são (não apenas) mais duas Barbies que prontamente lançaria numa fornalha de cimenteira em Maceira-Liz. Os motivos, muitos, não os enunciarei hoje; senhoras e senhoras, a menina Furtado tem a honra de estrear o meu pragmatismo punitivo das segundas-feiras.


sábado, outubro 01, 2005

Júlio Machado Vaz

O Júlio Machado Vaz não sabe sentar-se num sofá. É legítimo que uma pessoa queira mostrar à-vontade frente às câmaras, mas desconfio que aquela postura relaxada, reclinado com tronco e cabeça de frente, pernas de perfil, serve para esconder a erecção incontrolada dada a temática das conversas. Gostava de o acusar de ser tarado, mas a verdade é que nunca tive paciência para ouvi-lo; contento-me em ver o ar de seriedade com que aborda os assuntos enquanto vai coçando a excitação na poltrona do estúdio. Mudo de canal com o peso na consciência de poder perder uma imensidão de material acusatório contra o sexólogo. Basta, por outro lado, o vitupério de quem se leva demasiado a sério para em mim fervilharem sentimentos vingativos. Júlio Machado culpado? Culpado!

O sexólogo vai ser vítima do seu protagonismo. Duvido que recuse o convite para um debate sobre “O Sexo e a Adolescência” em certa escola C+S onde tenho poderes. Mediatiza-se a coisa e lá estará o Júlio.
O auditório é preparado: no palco, 5 ou 6 cadeiras para 5 ou 6 figurantes, digo oradores, e ao centro um aconchegante maple destinado ao principal convidado. Paradoxo: com toda a certeza vai estranhar um móvel tão familiar (sobretudo se eu adensar a ideia forrando a poltrona com plástico, não vá exceder-se o homem no costumeiro onanismo subtil), mas o castigo só começará com o debate. Faz-se a apresentação da tribuna destacando o Júlio Machado Vaz, obviamente. Agora, em vez de lhe ser requisitado o intróito da discussão, é-lhe exigido que (e serão mesmo estas as palavras) “faça aquelas macacadas no sofá, como é costume”. O sexólogo vai rir desportivamente - não deve ser a primeira vez que piadas com o sofá lhe são dirigidas, estando aqui um mero "quebra gelo" para o debate que se avizinha. Já não vai achar tanta graça quando se aperceber que um auditório de 150 adolescentes grita “Ma-ca-ca-das! Ma-ca-ca-das!” ininterruptamente. O restante painel junta-se à claque que começa a compassar os cânticos com palmas ritmadas. O tempo estimado é de 4 minutos e meio até que o Júlio Machado Vaz pegue nas suas coisas e vá embora com resmungos.

quinta-feira, setembro 29, 2005

Odete Santos

Era muito pequeno, nem sequer andava na escola, mas lembro-me da rábula dos dois bêbedos com o Camilo de Oliveira e a Ivone Silva. Se achava graça à embriagada Ivone já não consigo recordar com precisão.
Inevitavelmente presente na minha memória está a Odete Santos. Se lhe acho muita ou nenhuma graça também não consigo deslindar ainda. (pausa para reflectir) Nem é propriamente achar graça, tenho dúvidas se me rio às custas da sua constante rábula evocativa da Ivone Silva embriagada.
Reconhecendo-lhe esse modelo de vida fiquei muito pouco surpreendido quando vi a camarada em cartazes de teatro de revista. Não sendo lisboeta é-me difícil precisar a distância entre São Bento e o Parque Mayer. No caso da Odete tal distância não existe.
Pouco me engano se afirmar que a chalaça é mais brejeira quando interrompe intervenções da bancada do CDS-PP do que quando responde às deixas do José Raposo no “Arre Potter Qué Demais”. O over-acting é mais denunciado e o patético (assinalo que estou a falar de teatro de revista e não de tragédia grega) mais risível.
Risível? Não tenho bem a certeza…As faltas de respeito e a excentricidade da dona Odete dão-me tanta vontade de rir como ao Jaime Gama*. Enerva-me mais do que diverte, causa-me úlceras gástricas e isso exige VINGANÇA!

Como executar as minhas necessidades vindicativas? Confesso que não sei. Acho que saio derrotado. Ficava satisfeito se o Presidente da Assembleia da República, para chamá-la à ordem numa sessão, usasse a popular expressão “Sra Deputada, não vai mais vinho para essa mesa”. Se esse plano é muito pouco exequível, ainda mais o seria se a expressão do Jaime Gama fosse “Não bebas água não”

*Jaime Gama é anatomicamente incapaz de rir

quarta-feira, setembro 28, 2005

David Fonseca

O vocalista dos Silence4 pode não ser mau músico, mas isso é consideração a que me vou abster. A verdade é que é um saloio.
Parece-me muito simples formular a equação: português a cantar em inglês é simplório. Mesmo que a música seja muito boa há coisas que não se permitem a quem já passou a adolescência.
Dêem uma boa razão para se cantar em estrangeiro que eu cedo. Dêem-me meia razão que eu cedo. O inglês ser mais apropriado para certos estilos?…I don´t think so! O inglês ter tanta legitimidade universal quanto o estilo da música em que se insere?… Está a melhorar, mas ainda não me parece sequer meia razão para a minha cedência. O inglês permitir sonhar com o mercado internacional?...Sim, certo. Boa razão. Cedo. Mas questiono, quem mais do que um simplório é que fica esperançado de conquistar o mundo com a sua irrepreensível pronúncia de Jodie Foster?
O David Fonseca é um de dois: ou um autêntico pacóvio ou um autêntico miúdo de 13 anos que nos intervalos das aulas tem diálogos em inglês com os colegas a quem a professora da Língua Estrangeira I também deu 5 no 2º Período. David Fonseca não tem 13 anos.
É culpado de ser saloio e não se fala mais nisso. Culpado dos borrows e tomorrows que tanto me assolaram em sintonizações radiofónicas. Preciso vingar-me!

Como punir David Fonseca? Primeiro é preciso segui-lo até uma casa de banho pública. Pode demorar vários dias até conseguir concretizar, mas um pequeno esforço no controlo da dieta do leiriense certamente encurtará a tarefa (infiltrações em restaurantes são meios que não renego na justificação do meu fim). Atentem agora para a singeleza do plano: trancar David Fonseca no WC. Enquanto o cantor se tenta libertar, há que lhe fazer notar a minha presença. Por muito que grite “Acudam!”, ou “Tire-me daqui” ou se esvaia em milhentos pedidos de ajuda, a resposta só pode ser uma: “Peço desculpa, mas não percebo inglês.”. À primeira ou segunda vez que fizer uso dessa frase, prevejo qualquer coisa do género “Você está doido? Tire-me daqui homem!”, ao que responderei com um novíssimo “Peço desculpa, mas não percebo inglês.”. Antes que ele desista de berrar, espernear ou bater na porta, o mais provável é fartar-me eu primeiro do castigo e deixá-lo sair. Mas uma coisa deixo clara: ainda que a dada altura o David Fonseca tente persuadir-me a soltá-lo com um diálogo calmo e racional, calma, racional e civilizadamente vou-lhe pedir desculpas e confessar que não entendo uma palavra de inglês.

terça-feira, setembro 27, 2005

Manuel Maria Carrilho

O Carrilho é presumido culpado qualquer que seja a situação. Não digo isto atenuativamente, pelo contrário. Se fizesse um acróstico com o seu sobrenome, o C estaria guardado para “crápula” e por aí em diante.
Já alguém reflectiu o suficiente naquelas rugas ao lado dos olhos que se adensam quando ele ri, quando usa de sarcasmo, quando se irrita, quando não cumprimenta? Pobre Bárbara Guimarães; só pelo facto de ter casado com um crápula, no seu nome em acróstico terá sempre um dos B condenado a “bitch” - fazer ascender a imagem cultural própria casando com o intelectual Manuel Maria será ofensa da qual me vingarei mais tarde. Agora o tempo é de fazer o Carrilho pagar por todas as maleitas que a sua existência (em tudo amplificada pelas rugas próximas dos olhos) nos têm causado. A minha vingança segue o seguinte plano:

É necessário apanhar o Carrilho pelas ruas a fazer campanha para as autárquicas. Um amigo nosso (amigo com uma característica especial que revelarei não tarda), vai abeirar-se simpaticamente para cumprimentar o candidato à Câmara de Lisboa. Carrilho irá estender a mão, mas o nosso amigo, veterano do ultramar, estenderá apenas um coto por ser maneta. Dada a impossibilidade do cordial aperto de mão, o estropiado começará repetidamente a exclamar “Então, não cumprimenta? Extrordinário! Grande ordinário!”. Calculo que a frase seja repetida umas dezenas de vezes até a comitiva do PS se fartar e seguir em frente.

segunda-feira, setembro 26, 2005

Jorge Gabriel

O Jorge Gabriel já foi pior e já foi mais gordo, mas quando era gordo era melhor. Já lhe foi muito mais frequente o tique irritante de esfregar as mãos, mas pelo menos nessa altura era suficientemente pouco magro para se lhe desculparem os tiques.
Acima de tudo o Jorge Gabriel é culpado. Não de ganhar bom dinheiro (reconheço a evidente faceta de rapaz trabalhador), nem de aparecer em 300 programas de televisão por dia, nada disso. É culpado de ser um pateta e de pateticamente se fazer passar por um sábio cidadão que conquistou o seu lugar na televisão. Ele conquistou, de facto e meritoriamente, o seu lugar na televisão, mas não passa de um pateta que simula a condição que aspira: a de sábio cidadão.
É culpado de enganar os patetas que pensam que ele é sábio. É culpado da sua tentativa parecer patética aos mais esclarecidos.
Culpado! Culpado! Culpado!

Não sendo isto uma questão de justiça, pune-se a culpa com actos de vingança calculada, tal é o mal que me faz a patetice. Será assim: Inscrevo-me no concurso “O Cofre” apresentado pelo Jorge Gabriel. Faço-me passar por engenheiro para no programa ser tratado única e exclusivamente por “Engenheiro”. Quando, a determinada altura, o Jorge Gabriel me perguntar de que é que sou engenheiro respondo calmamente: “Sou engenheiro de…você é um grandessíssimo pateta”. Os concorrentes ao meu lado riem e o Jorge Gabriel mantém um sorriso pateta enquanto encaixa a ofensa. “Você é pateta e isto não é para os apanhados”, continuo. Assim descarrego, desabafo, vingo-me. Claro que isto nunca chegará a ir para o ar.

This page is powered by Blogger. Isn't yours?